No Pódio, O Preço da Semente
Recebi várias mensagens, pedindo
um comentário sobre a insanidade de um dito "pastor",que lançou um novo produto (sem aspas).
Uma
"oferta" de 1000, 500, 100 reais; Enviando o comprovante do depósito,
você pode buscar em um dos "templos", ou lhe enviarão pelo correio, uma
semente com a inscrição: “Sê tú uma Benção!”
Fui criado em uma
denominação que começou Pentecostal, mas desde a década de 90, aderiu a vários
símbolos Neo-Pentecostais, no que se refere a sincretismo religioso. Oração no
copo com água, campanha do lenço ungido, campanha águas que saram (com
distribuição de água em mini copos descartáveis, para serem ingeridas após a
Oração em cada reunião); campanha em que se escreve o nome das pessoas em
papéis que simbolizam uma árvore genealógica, ou que reproduzem “o perfil de um
peixe” (ΙΧΘΥΣ)...
Incontáveis são as formas que as denominações
Neo-Pentecostais encontram para se conectarem com as necessidades das pessoas.
Entendo perfeitamente a questão defendida por muitos, de que essa é a única
forma de conseguir se conectar com algumas camadas da sociedade. Eu mesmo defendo
a necessidade da pluralidade das artes, dentro do trabalho evangelístico.
A busca do equilíbrio deve se concentrar nas seguintes
perguntas:
Há um limite para esse sincretismo?
Qual seria o limite para esse sincretismo?
Lembro quando o presidente internacional da denominação, em
suas ministrações aos líderes, sempre ressaltava que “Somos Uma Igreja
Pentecostal. Não somos Neo-Pentecostais”. O que sempre concordei. No entanto, o
pastor da congregação, por sua conta e risco, e contrariando a orientação do
presidente geral da denominação, mandou que fossem construídos 3 gazofilácios
de metal ( de aproximadamente 1,5M de altura e 0,6M de largura), para se fazer
uma campanha de ofertas de Ouro, Prata e Bronze.
Foi um grande debate entre a então diretoria
executiva/administrativa e o pastor local. O pastor local custou a entender que
aquilo seria uma “campanha” contrária até mesmo à orientação doutrinária da
denominação. Sem contar o caráter discriminatório. Seria uma campanha de “ofertas
segregacionistas”. Todos veriam, “no pódio das ofertas”, quem era Ouro, quem
era Prata, ou quem era Bronze.
Por essas e outras, que defendo que deveria haver uma espécie
de Ordem dos Pastores do Brasil. A pessoa precisaria ter um arcabouço mínimo
para ser líder religioso, e todos deveriam ter que responder a alguma
instituição superior.
No caso de Igrejas Pentecostais e Neo-Pentecostais, ainda há muito
que aprender com as instituições mais antigas. Até mesmo com os princípios
fundamentais do Direito.
“Para que não haja
abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder.”
“Para
Montesquieu, existem dois tipos de leis. As leis naturais, feitas por Deus,
regem a natureza, são perfeitas e indiscutíveis. As leis instituídas pelo
homem, chamadas “leis positivas”, seriam apenas uma modalidade da Lei. Ao
contrário das leis naturais, as leis positivas são feitas por homens
imperfeitos, sujeitos à ignorância e ao erro. Dessa forma, assim como as leis
de Deus, as leis dos homens deveriam buscar expressar as necessidades dos
povos, relacionando-se às formas de governo, clima e condições geográficas.”
“Todo
homem que tem o poder é tentando a abusar dele (…). É preciso que, pela
disposição das coisas, o poder freie o poder.”
Tal
como Newton extraiu a lei da gravidade da observação da relação entre os
corpos, Montesquieu buscava extrair as leis humanas da observação das relações
entre os homens. Assim, a idéia central do pensamento de Montesquieu, portanto,
era conferir as leis não como fruto do
arbítrio de quem as escreve, mas da decorrência da realidade social e
histórica de um povo, mantendo relações íntimas com essa realidade, possuindo,
assim, um sentido, um “espírito”.
No recorte do assunto em questão, existem dois problemas, relativos a
alguns líderes Pentecostais e Neo-Pentecostais.
O primeiro. Aqueles que se auto-intitulam pastores e abrem suas próprias
congregações, ou aqueles que por alguma discordância, desligam-se da
congregação e abrem as suas próprias. Um claro exemplo é o fato de que
Valdemiro, RR Soares, Agenor Duque, todos eram obreiros de Edir Macedo;
Discordaram em algo, e abriram sua própria denominação. Estes, não devem
satisfação a ninguém. Eles são todas as suas próprias instâncias. Não há freio
do que podem ou não. Não há ninguém a quem devam responder.
O segundo problema está em denominações Pentecostais que até possuem
convenções e conselhos de ética. Mas com o passar do tempo, alguns membros se
envolveram em questões tão indecorosas, que o colegiado sabe que aquele incauto
pode levar todos à bancarrota, caso decidam corrigir alguém. Começam a pensar
como maçãs que estão há muito tempo na mesma cesta de uma podre. Podem não estar
podres, mas temem que ninguém acredite que: há tanto tempo com porcos, e nunca
comeram farelo?
Neste ponto, pessoas sérias
deixaram crescer um “joio moral” no seu meio, e agora, temem o resultado de uma
possível correção. Temem uma reação kamikaze, daquele a ser corrigido; explodir
o quartel inteiro. Temem uma "delação do fim do mundo." Temem que numa última faísca de consciência, aquele que queira se arrepender, grite os males "de cima dos telhados."
Aqui, os conselhos e convenções se tornam apenas mais uma engrenagem no
mecanismo. É possível perceber a tristeza
e vergonha no olhar daqueles sérios, que se sentem com as mãos atadas. Não, Nunca generalizei. Existe gente séria. Andorinhas solitárias.
“Mas
houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos
mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando
até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.
2E
muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o
caminho da verdade; 3também, movidos
pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação
dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita.”
II Pedro 2:1-3
Outro fato, é que muitos líderes Pentecostais e Neo-Pentecostais,
utilizam a designação de pastores como forma de uma esquizofrênica “coalizão
política”.
No início, somos tentados a pensar que é por falta de mão-de-obra. Mas não. A idéia é: Se eu designo (X) a pastor (a), ele (a) me deve uma “gratidão metafísica”. Ele (a) nunca discordará. E essa concordância cega, é mais que conveniente. Ela é necessária; pois precisarão de seguidores que “farão tudo que seu mestre mandar”. Afinal, só mesmo assim para defender esse pódio de ofertas, sementes e amuletos.
No início, somos tentados a pensar que é por falta de mão-de-obra. Mas não. A idéia é: Se eu designo (X) a pastor (a), ele (a) me deve uma “gratidão metafísica”. Ele (a) nunca discordará. E essa concordância cega, é mais que conveniente. Ela é necessária; pois precisarão de seguidores que “farão tudo que seu mestre mandar”. Afinal, só mesmo assim para defender esse pódio de ofertas, sementes e amuletos.
“9
- Já vos adverti por carta que não vos associásseis a nada que fosse imoral. 10
- Dizendo isso, não me refiro às pessoas imorais deste mundo, nem aos
avarentos, ou aos ladrões, ou ainda, aos idólatras. Se assim fosse, seria
necessário que saísseis do mundo.
11
- Entretanto, agora vos escrevo para que não vos associeis com qualquer pessoa
que, afirmando-se irmão, for imoral ou ganancioso, idólatra ou caluniador,
embriagado ou estelionatário. Com pessoas assim não deveis sequer sentar-se
para uma refeição.
12
- Pois, como haveria eu de julgar os que estão fora da igreja? Todavia, não
deveis vós julgar os que são de dentro?
13
- Contudo, Deus julgará os que são de fora. Tirai pois dentre vós a esse iníquo .“
I Cor. 5:9-13 (Bíblia King James)
A tristeza é saber que
este tipo de líderes religiosos existe em nosso meio.
São imoralmente
gananciosos, embriagados por sua idolatria ao dinheiro; estelionatários da fé.
Conforme a metodologia de solução de problemas intra-congregação, relatado
acima, em I Coríntios 5, não se associe com ele.
Antes que fundamentalistas
“fervorosos no espírito e vagarosos no cuidado”, venham dizer que a separação dos
poderes como freio do poder para o poder é “a letra que mata”, cabe ressaltar
que a instituição dos diáconos é um clássico exemplo da fala de Montesquieu:
A instituição dos diáconos
1Ora, naqueles dias,
multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas
contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição
diária.
2Então, os doze convocaram a
comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a
palavra de Deus para servir às mesas.
3Mas, irmãos, escolhei dentre
vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais
encarregaremos deste serviço;
4e, quanto a nós, nos
consagraremos à oração e ao ministério da palavra.
5O parecer agradou a toda a
comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe,
Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
6Apresentaram-nos perante os
apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos.
7Crescia a palavra de Deus, e,
em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos
sacerdotes obedeciam à fé.
Atos 6:01-07
“Leis não como fruto do arbítrio de quem as
escreve, mas da decorrência da realidade social e
histórica de um povo, mantendo relações íntimas com essa realidade, possuindo,
assim, um sentido, um “espírito”.
Montesquieu
“A virtude é um equilíbrio entre dois extremos
instáveis e igualmente prejudiciais, quando transgredidos.”
Aristóteles
Existiria um limite para o sincretismo
religioso?
Qual seria esse limite?
Quem verificaria esse limite?
Se a virtude é o equilíbrio, ela estaria
entre o legalismo fundamentalista e o extremo liberal teológico?
Àqueles que são seu próprio alfa e ômega,
esses que se ungem e se promovem, não há o que dizer.
E aos outros que traem o povo que os elegeu?
Esses que prevaricam em suas funções?
“Se apascentam a si mesmos. Nuvens sem água,
que por amor ao lucro, se atiram ao erro de Balaão e perecem como Corá” e os
seus. Discursos com muita retórica e nenhuma verdade. Quem possui
discernimento, de longe percebe que estão mortos. “Blasfemam de tudo o que não
entendem; e, naquilo que compreendem de modo natural, como os seres
irracionais, mesmo nisso se corrompem.”
O Ano é 2020. QUALQUER informação está a um click
de distância. Não há mais lugar para esse protestantismo raso. A Revista Veja
havia nos chamado de “esta gente morena”. Porque quando se diz crente, é a
caricatura dos cultos televisionados que prevalece como imagem de quem professa
a fé evangélica. Reuniões que conseguem judaizar e copiar matrizes africanas ao
mesmo tempo. Mas nem isso fazem com destreza.
São amadores que seriam cômicos, se não
fossem trágicos. Não se esforçam, não melhoram, e tendem a odiar quem queira
ajudar a “levantar o sarrafo” para que se faça corretamente. Como os 10 espias,
eles se vêem como formigas e pensam que os outros os vêem assim também.
Relacionamentos mal resolvidos, muitas vezes, mal iniciados e não corrigidos,
os fazem ter auto-estima abaixo de zero, e jamais conseguirem entender qualquer
crítica construtiva. Para esses, tudo é rebelião, tudo é “levante do inimigo”,
tudo é “tocar no ungido”. Para esses,
tudo é inveja de um sucesso que só eles acham que ninguém sabe que é de
plástico; É inflável, e está furado. Ou os comparsas permanecem soprando seu
ego, ou ele desabará em vitimismo manipulatório (novamente).
Conheço dois ou três que sabem utilizar e
dosar bem o sincretismo conforme o público, a mensagem e a situação. Dois ou
três com conduta ilibada. Como Garças,
andando “no meio desta lama, sem sujar suas vestes.” Por esses, continuo orando
para que eles contaminem esse meio e não sejam contaminados por ele.

Como disse, estamos todos a um click das
informações. Compare sempre “uma coisa com a outra, para encontrar a causa.”
Como os de Beréia, verifique tudo que for dito. Busque a sabedoria mais que o
ouro e prata. Relacione-se com Cristo. Suas ovelhas conhecem a voz do Bom
Pastor. Por isso não serão enganadas pelo ladrão noturno.
Com sabedoria, utilize-se da metodologia de
Mateus 18:15-18 e I Coríntios 5:09-13, para corrigir a quem for necessário. Não
se venda, não se cale, não prevarique. Pois o estrago que um estelionatário da
fé provoca, é incalculável. São eles que “dão margem e razão aos ateus”, desacreditando
os remanescentes dos santos pregadores dA Palavra.
Por fim, que nossa semente seja como nossa
real dedicação Ao Evangelho. Que não tenha preço, Que nos custe TUDO.
Abraço.
Douglas Fonseca.
1. Couceiro, Julio. «Princípio da
Separação de Poderes em corrente tripartite». Âmbito Jurídico.
Consultado em 17 de agosto de 2014
4. ↑ Montesquieu, Charles de Secondat Baron de (1993). O Espírito das
Leis. São Paulo: Marins Fontes. 181 páginas
5. ↑ «Montesquieu,
Complete Works, vol. 1 (The Spirit of Laws)». oll.libertyfund.org.
Consultado em 16 de março de 2018
6. «Esprit des lois
(1777)/L11/C6 - Wikisource». fr.wikisource.org (em
francês). Consultado em 16 de março de 2018
7. ↑ Rodriguez, José Rodrigo; Costa, Eduardo Batalha da Silva; Barbosa,
Samuel Rodrigues (2010). Nas Fronteiras do Formalismo - Série Direito em
Debate. [S.l.]: Editora Saraiva
12. FRESTON, Paul.
Breve história do pentecostalismo brasileiro. In: ANTONIAZZI, Alberto
(coordenador). Nem anjos nem demônios: Interpretações sociológicas do
pentecostalismoPetrópolis: Vozes, 1994, p. 67-162.
14. https:///ftsa.edu.br/home/index.php/en/blog-da-ftsa/58-espiritualidade/271-10-sintomas-de-legalismo




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