Bacanal - A Verdadeira História

 Acima: Pintura de Bouguereau (1884) mostrando as orgias da festa em homenagem a Baco, os bacanais.
Seria cômico se não fosse trágico, o mi, mi, mi ignorante que temos visto. Uma “Índia” de “aifone”, chora porque alguém está usando o Cocar de sua tribo. Protestam contra quem usa fantasia de Índio. Desde o “descobrimento” burlesco, temos vivido uma mistura de ignorância e conveniência. 
O próprio termo “Índio”, começou a ser utilizado aqui pelos portugueses, não por sua etimologia que remete a nativos da terra, mas porque acreditavam que tinham encontrado “o caminho das Índias”.
A própria raiz da discussão é descabida. Poderia se dizer que um mineiro chorou ao ver o sulista ou nortista comendo frango com quiabo, ora-pro-nóbis e angu. Vivemos para ver, no tempo do politicamente correto, um oásis de defesa da segregação.
Partamos então para a abordagem da "legítima festa brasileira".
Oi? Como? Qual?... O Carnaval? Sinto lhe informar, mas isso é mais uma filha da “pós-verdade”.
Certamente já ouviu o termo: Bacanal. Pois bem, ele remete ao deus Baco. Este foi o nome pelo qual a Roma antiga absorveu a Dionísio, “Dionísio (Διόνυσος ou Dionysos) é o deus da colheita das uvas, da fabricação do vinho, dos excessos, da loucura e do teatro.”

“As Festas Dionisíacas na Grécia Antiga
Diversas festas eram dedicadas ao deus Dionísio ao longo do ano. A principal delas eram as Grandes Dionisías, que ocorriam entre março e abril, celebrando a chegada da primavera.
No início, os festejos eram uma espécie de transgressão teatral da sociedade da época. O pobre se vestia de rico, os homens se vestiam de mulheres, as prostitutas fingiam ser donzelas, etc. A festa se estendia por três dias com consumo de vinho em grandes quantidades. As relações sexuais abertas eram consideradas normais.
Dessa tradição surge, ao longo do tempo, um concurso de peças cômicas e dramáticas para celebrar Dionísio. Daqui surge o teatro!
Acima: Ilustração do interior de uma taça antiga. A cena mostra Dionísio sendo seguido pelos sátiros no cortejo religioso e carnavalesco das festas dionisíacas.

Os Bacanais – Festa Em Homenagem a Baco
 A Roma Antiga também absorve a tradição de celebrar Baco com cultos religiosos regados a muito vinho. Essas festas passam a ser chamadas de bacanais.
Originalmente, as festas eram feitas em secreto somente por mulheres. Com o tempo, os bacanais se tornam públicos e são celebrados com representações teatrais que servem de cerimônia religiosa.

Com o tempo, os bacanais passam a ser mal vistos, perdendo o sentido religioso inicial. As festas começam a se transformar em orgias noturnas cada vez mais frequentes (feitas até 5 vezes a mês). Como o rito levava a muitas extravagâncias e desordens sociais, ele é proibido por volta de 186 a.C.”
Quer cultuar ao deus bastardo, participando de suas sucessivas esquetes regadas a muito vinho e tendo como ponto alto a sensualidade? OK. Mas faça consciente. Mas não se esconda na falácia de que é uma genuína manifestação da cultura brasileira, pois não é.
Onde está agora a luta contra a objetivação da mulher? Hibernaram? Ah! Sim. Devem estar curtindo o bacanal fantasiados de machistas.

Abraço.

Douglas Fonseca





Fontes:
Dalby, Andrew (2005), The Story of Bacchus, ISBN 0-7141-2255-6
  1.  «Dionisíaco». Michaelis On-Line. Consultado em 18 de julho de 2017
  2. ↑ «Artigo de apoio Infopédia - Dioniso». www.infopedia.pt. Consultado em 18 de julho de 2017
  3.  «Definição ou significado de Dionísio no Dicionário Infopédia de Antroponímia». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 18 de julho de 2017
  4. ↑ Deuses do Amor e Ecstasy, Alain Daniélou p.15

















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