A Realidade Distópica do Mindset deste Século


Nesta época de Carnaval, me pego pensando na encruzilhada em que fatalmente todos, crendo ou não, vivemos, e quão clara ela é. Já está mais do que batido e todos sabem o que significa “Festa da Carne”, que tem origem no deus Baco, de onde deriva o termo “bacanais” (isso mesmo que você está pensando...). Mas não vim em pleno Carnaval, te encher com “sermão moralista”. De forma nenhuma.

Em tempos que está em voga a importância do Auto-conhecimento, uma expressão que tem sido muito falada é Mindset; Que pode ser traduzido como, Modelos Mentais, Atitudes Mentais ou Mentalidade.
E se A palavra diz que “Como nos dias de Ló... Assim será quando o Filho do Homem se Manifestar.” (Lucas 17).
Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.
Provérbios 4:23
Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.
Salmos 119:11
“Precisamos entender o que o coração significa no discurso bíblico. Segundo Timothy Munyon (2008, p. 245): “Em hebraico, a palavra ‘coração’ (lev. levav) era usada no tocante ao órgão físico, porém frequentemente (sic) no sentido abstrato, para descrever a natureza interior, a mente ou pensamentos íntimos, os sentimentos ou emoções, os impulsos profundos e até mesmo a vontade. No Novo Testamento, ‘coração’ (kardia) também significa o órgão físico, mas primariamente a vida interior com suas emoções, pensamentos e vontade, bem como a habitação do Senhor e do Espírito Santo”.

Nesse sentido, Donald C. Stamps (1995, p. 933), pontua que “o povo da atualidade geralmente considera que o cérebro é o centro diretor da atividade humana. A bíblia no entanto, refere-se ao coração como esse centro; ‘dele procedem as saídas da vida’ (4.23; cf. Lucas 6.45)”. E conclui afirmando que “biblicamente, o coração pode ser considerado como algo que abarca a totalidade do nosso intelecto, emoção e volição (ver Marcos 7.20-23 nota)”.

Portanto, dentro do discurso bíblico, o coração não significa apenas o órgão cardíaco do corpo humano, mas, principalmente o ser interior do homem e nesse sentido representa a fonte das emoções, razão e vontade. É claro que esta é uma linguagem figurada e não literal, e a Bíblia usa essa linguagem metafórica não porque os escritores bíblicos desconheciam a anatomia humana ou porque a medicina e a ciência eram rudimentares, pois, o Deus que inspirou os escritores bíblicos é onisciente e conhece plenamente todas estas questões que naquela época eram desconhecidas da humanidade, mas, que hoje são plenamente conhecidas através da ciência.

Deus se comunica com o homem, usando a linguagem do próprio homem para que possa ser compreendido. Além do mais, a Bíblia é um livro atemporal, feito para ser entendida tanto pelas gerações do passado quanto pela geração do presente.

Prova disto, é que em todas as culturas, inclusive na nossa, esta linguagem metafórica do coração como centro das emoções ainda prevalece e é utilizada por poetas, escritores, compositores e pelas pessoas em geral.
Sendo assim, se coração se referir ao órgão cardíaco, então a expressão “Deus só quer o coração” é inverdade e uma completa falta de ótica bíblica (conf. Romanos 12.1; 1 Tessalonicenses 5.23).
Por outro lado, se coração se referir ao interior do ser humano como o centro da emoção, razão e vontade humanas, então a expressão “Deus só quer o coração” está aparentemente correta, pois é basicamente isso que Deus nos pede: “Dá-me, filho meu, o teu coração” (Provérbios 23.6a).”
Isto posto, pavimentamos o caminho, e agora entendemos que quando A Palavra fala sobre coração, ela se refere ao local sede do Mindset. Seja por figura de linguagem, licença poética, ou porque na época se acreditava que a “Psique” estava no coração. Fato é que estamos alinhados em qual o sentido este termo tem quando citado nas Escrituras, se referindo a vontades e pensamentos.
Deixando de lado as diferenças entre Milenistas, Amilenistas, etc... Um dos pontos mais conhecidos da Escatologia é o sinal da Besta; que seria colocado na fronte ou na mão de seus adoradores.

“Nos tempos bíblicos, era muito comum a marcação de escravos pelos seus senhores. O objetivo dessa marcação era servir como um sinal de propriedade. O escravo marcado carregava consigo a marca de seu dono.
Também é verdade que não somente os escravos recebiam uma marca, outras classes também eram marcadas. Há indícios de que os soldados romanos recebiam algum tipo de marca que os identificava como oficiais do império.
Além dos escravos e soldados, os devotos das religiões pagãs da época normalmente também eram marcados. Nos dias em que o Apocalipse foi escrito, as pessoas mostravam sua devoção a um determinado deus recebendo uma marca que as identificasse como adoradoras dele. Isso era muito comum entre os habitantes da Ásia Menor. Essa marca, na maioria das vezes uma tatuagem, era exibida com orgulho por esses devotos. Portanto, “receber uma marca” naquela época indicava que um determinado individuo cultuava, servia ou pertencia a alguém.
O livro do Apocalipse não é o primeiro a falar de pessoas sendo marcadas. O livro de Deuteronômio fala de um povo que recebe uma marca na fronte e na mão. No caso de Deuteronômio, a marca é a Palavra de Deus que deve estar atada como sinal na mão e na fronte de seu povo (Deuteronômio 6:4-8).
É claro que essa ordenança em Deuteronômio também não deve ser interpretada de forma literal. O texto não está dizendo que o povo de Deus deve andar com a Lei do Senhor literalmente atada na mão e pendurada na testa entre os olhos. Na verdade o texto está dizendo que todos os nossos pensamentos, vontades e ações, devem ser guiados pelos mandamentos de Deus.

O livro do profeta Ezequiel também fala sobre uma marca na testa (Ezequiel 9:4). Nesse texto o Senhor ordenou que todos os homens que reprovavam as abominações que aconteciam em Jerusalém fossem marcados com um sinal na testa. Mais uma vez esse sinal não é literal, mas simbólico.
Esse mesmo princípio continua no Novo Testamento, onde lemos que a Igreja do Senhor é marcada por Ele. Falaremos mais sobre a marcação do povo de Deus a seguir.
Vimos que deste o Antigo Testamento o verdadeiro povo de Deus é marcado por Ele. Mas é no Novo Testamento que encontramos mais detalhes sobre esse sinal que identifica a comunidade dos santos. Na verdade os fiéis recebem muito mais do que uma marca, eles recebem um selo. O apóstolo Paulo explica que Deus selou o seu povo (2 Coríntios 1:22). Os redimidos são selados com o Espírito Santo da promessa (Efésios 1:13).

O livro do Apocalipse também fala dos servos de Deus sendo selados. Eles possuem em suas testas o nome do Pai escrito. Eles são preservados por Deus, e nenhum deles se perderá (Apocalipse 7:3; 14:1).
O Apocalipse é um livro de contrastes, e nesse ponto o contraste é evidente. De um lado é apresentado o povo de Deus que é selado por Ele. Do outro lado os adoradores da Besta que são marcados por ela.
Na verdade esses contrastes servem para mostrar como Satanás tenta ser uma imitação barata do nosso Senhor. Enquanto Cristo é o Cordeiro, Satanás possui seu falso profeta com aparência de Cordeiro. Enquanto Cristo é o Vencedor que ressuscitou, Satanás possui sua Besta que protagoniza um simulacro de ressurreição e tenta parecer invencível (Apocalipse 13). Enquanto Cristo tem sua Noiva, Satanás tem sua prostituta (Apocalipse 19).
Isso nos mostra que a marca da Besta é um tipo de imitação fraudulenta de Satanás. A marca da Besta tenta imitar o selo do nome de Deus que os santos possuem. O selo dado aos santos indica que alguém pertence ao Senhor Cristo e guarda sua Palavra. Esse selo significa que as ações e os pensamentos dos santos estão de acordo com a vontade de Deus, pois eles possuem a mente de Cristo (1 Coríntios 2:16).
No capítulo 13 de Apocalipse, Satanás convoca duas bestas. A primeira delas surge do mar e se parece com um monstro. A segunda surge da terra e se parece com um cordeiro. A segunda Besta trabalha para que a primeira Besta seja adorada pelos habitantes da terra.”
Em um determinado momento, é a segunda Besta quem determina que seja colocada esta marca nas mãos ou na testa de toda a humanidade. Todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, são marcados com o sinal da Besta.
Por isso mesmo, O Apóstolo dos Gentios nos ensina:
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:2

A Grande marca da Besta já está sendo impressa há algum tempo, mas nunca foi impressa em tão grande velocidade e tão abertamente.
A Marca desta segunda Besta, que tem a função de fazer a humanidade adorar a primeira, é exclusivamente corromper o Mindset de tal forma, que este “novo pensamento” consolide a Paródia do Selo do espírito deste mundo em teus adoradores.
“"E da boca do dragão, e da boca da Besta, e da boca do falso profeta vi saírem três espíritos imundos, semelhantes a rãs, porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo para os congregar para a batalha, naquele grande Dia do Deus Todo-Poderoso" (Apocalipse 16:13-14)

No Apocalipse, todo o complexo dado para a formação da profecia do fim dos tempos possui uma estrutura revelada em forma de uma trindade: o dragão, a besta e o falso profeta. Visto que 6 é o número do homem, pois foi criado no sexto dia por Deus (Gênesis 2:26-31) ; o número "666" representa uma trindade humana imitando a trindade divina, a trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Sendo assim, três vezes seis deve referir-se a uma estrutura humana homem que se apresenta como a trindade divina. Assim como os imperadores romanos e muitos outros, antes e depois deles, o Anticristo se julgará igual a Deus (2 Tessalonicenses 2:4).”
Os caminhos são vários que ele pode utilizar, mas no fim, tudo deságua em sua soberba e vontade de ser adorado como só Deus é digno. Para isto, tem usado a Mentalidade do “Mundo Moderno” como Antítese do selo Do Espírito Santo de Deus.
Aqueles que aderem ao Mindset deste mundo, contaminam seus corações (mentes) e consequentemente suas ações (mãos).

Qual a saída então?...
Se: “Penso, logo Existo...”
Meu coração e mente estando entregues Ao Meu Senhor; E se já estou crucificado com Cristo, agora não vivo eu, mas Ele vive em mim.
Seu padrão de pensamento revela as marcas que lhe foram impressas. Ou as Marcas determinam seu padrão de pensamento. Vice-Versa...
Lembrando que a impressão destas marcas é um processo. Não é um carimbo instantâneo. É uma construção meticulosamente pensada para ser imperceptível. E até isso é uma paródia barata da Transformação Celestial:
“Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. “
PV 4:18
Nunca despreze os pequenos começos. Nem para o bem, nem para o mal.
Na era da Pós-Verdade, Conhecer A Verdade está "fora de moda". Te convido para andar na real Contra-Mão do Sistema.
A Marca da Besta está muito mais para um Algoritmo do Mindset Distópico, do que para um Código de Barras. 
Ou você começa a guiar sua vida pelas Guias Anônimas do Selo do Espírito Santo de Deus, ou assumirá a Mentalidade deste Século como se fosse tua.

 Abraços,

Douglas Fonseca.


Fontes:
MUNYON, Timothy. A Criação do Universo e da Humanidade. In HORTHON, Stanley M. et al. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 11. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. 
STAMPS, Donald C (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD. 1995
Ammannati, Renato (2010). Rivelazione e Storia. Ermeneutica dell'Apocalisse. [S.l.]: Transeuropa
Bass, Ralph E., Jr. (2004) Back to the Future: A Study in the Book of Revelation, Greenville, South Carolina: Living Hope Press, ISBN 0-9759547-0-9.
Bauckham, Richard (1993). The Theology of the Book of Revelation. [S.l.]: Cambridge University Press
Beale, G.K.; McDonough, Sean M. (2007). «Revelation». In: Beale, G. K.; Carson, D. A. Commentary on the New Testament Use of the Old Testament. [S.l.]: Baker Academic
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