Esteira parada não emagrece
Autor:Carlos Sider
...não que eu tenha me convencido a malhar duas horas por dia, mas porque, ironia das ironias, estava eu assistindo um filme na TV com minha esposa, quando aparece um comercial de um banco falando exatamente isso:
‘esteira parada não emagrece’.
Os sonhos não se tornam realidade se não lutarmos por eles. Não chegamos ao destino se não colocamos o pé na estrada, e etc, etc. Acabamos de passar pelo dia em que alguém diz ‘adeus ano velho, feliz ano novo’. A festa traduz a nossa vontade de apagar o que de ruim aconteceu e ficar só com o que de bom faremos. Erros? Só no passado! Acertos? É só o que teremos de hoje em diante! Que ninguém nos segure. Mas a esteira continua parada, e nós ganhando peso. Os sonhos seguem sendo sonhos, como se esperássemos alguém para nos acordar trazendo, junto com o café na cama, os sonhos já realizados e prontos. Choramos por não estarmos lá...
Já cansei de ouvir isto de minha esposa, sempre lembrando da ‘minha’ esteira - ganha em algum dia dos pais, que permanece como ótimo cabide de roupas no nosso quarto. E eu sempre ‘em forma’. Cada vez mais esférica. Escrevo isto não que eu já tenha me convencido a malhar duas horas por dia, mas porque, ironia das ironias, estava eu assistindo um filme na TV com minha esposa, quando aparece um comercial de um banco falando exatamente isso: ‘esteira parada não emagrece’.
Já cansei de ouvir isto de minha esposa, sempre lembrando da ‘minha’ esteira - ganha em algum dia dos pais, que permanece como ótimo cabide de roupas no nosso quarto. E eu sempre ‘em forma’. Cada vez mais esférica. Escrevo isto não que eu já tenha me convencido a malhar duas horas por dia, mas porque, ironia das ironias, estava eu assistindo um filme na TV com minha esposa, quando aparece um comercial de um banco falando exatamente isso: ‘esteira parada não emagrece’.
Os sonhos não se tornam realidade se não lutarmos por eles. Não chegamos ao destino se não colocamos o pé na estrada, e etc, etc. Exceção às brincadeiras da Thelma, fiquei pensando... Acabamos de passar pelo ‘dia da borracha’. O dia em que alguém diz ‘adeus ano velho, feliz ano novo’.
Os sonhos seguem sendo sonhos, como se esperássemos alguém para nos acordar trazendo, junto com o café na cama, os sonhos já realizados e prontos. Choramos por não estarmos lá, mas não damos o primeiro passo na direção daquele ‘lá’. Lamentamos a falta das coisas que desejamos e não temos, mas nem sequer cogitamos em começar a pagar seu preço. E passa janeiro, e passa fevereiro, março... e parece que já começamos a esperar pelo fim do ano. É, parece que este ano não será tão bom.
Mas no novo ano tudo será diferente! Tenho fé...Que ciclo mais besta! Racionalizamos demais. O que os outros vão dizer? Dirão que somos daqueles que corremos atrás do pote de ouro no fim do arco-íris? Dirão que estamos trabalhando por nada? Outros dizem para deixar os outros falando sozinhos! ‘Na hora que você chegar lá, eles vêm atrás. Se não chegar, você pelo menos se divertiu’. Mas no que vale a pena investir? Será que é tudo questão de ‘sair fazendo’? Como saber o que vai vingar, e o que não vai? Em que direção apontar nossos canhões?
Eu me lembro de um tempo em minha vida quando ‘os outros’ falavam muito alto. Tão alto que me tiravam o sono, o humor, me davam hipertensão, stress. Os outros e suas sombras. Fui assim até os meus 30 anos, mais ou menos. Meus atos eram demasiadamente orientados pelo que ‘os outros’ recomendavam, e extremamente limitados pelo que ‘os outros’ iriam dizer de minhas iniciativas. Insegurança, imaturidade? Chame como quiser.
Não estou dizendo que hoje não ouço mais ‘os outros’, pois muitas vezes eles são colocados em nossa vida por Deus. Ouça-os na medida certa, mas não os ouça mais do que a Deus. Ouví-los demais é uma roubada sem tamanho. Mas olhando meus últimos 15 ou 16 anos sou forçado a reconhecer três fases de erros e acertos que viví no garimpo desta convicção.
Eu o convido a vir comigo folhear meu ‘álbum de recordações’
Fase 1 – a fase ‘jura secreta’. Faço referência à letra da música composta por Sueli Costa e Abel Silva, gravada por muita gente: Simone, Maria Bethania, Fagner e mais recentemente, Zélia Duncan:
Só uma coisa me entristece.
O beijo de amor que não roubei, A jura secreta que não fiz, A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina Tanto quanto o que não fiz; Nada do que quero me suprimeDe que por não saber ainda não quis
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz; Só o que o cega, o que me faz infeliz; É o brilho do olhar que não sofrí
Fase 2 – a fase ‘Roosevelt’ - 1997. Estava mudando de emprego, convidado para ser o diretor geral de uma indústria química, mudando de cidade, mudando de vida.
Dou este nome à fase por conta de duas frases dele (não o Franklin Roosevelt, presidente dos Estados Unidos no tempo da 2ª guerra, mas o tio dele, Theodore Roosevelt, que também foi presidente do mesmo país no começo do século 20):
’Far better it is to dare mighty things, to win glorious triumphs even though checkered by failure, than to rank with those poor spirits who neither enjoy nor suffer much because they live in the gray twilight that knows neither victory nor defeat’’
Muito melhor é ousar coisas poderosas, obter gloriosos triunfos, mesmo que manchados por falhas, do que alinhar-se com aqueles pobres de espírito que nem festejam nem sofrem muito, pois vivem naquela zona cinzenta que não conhece em vitória nem derrota’
E a outra frase:’Whenever you are asked if you can do a job, tell 'em, 'Certainly I can!' Then get busy and find out how to do it’’’Quando lhe perguntarem se você pode fazer certo trabalho, diga: certamente que posso! Depois arregace as mangas e ache um jeito de fazê-lo’Foi um tempo de ‘comigo ninguém pode’.
Se é certo que posso listar meus melhores e maiores acertos profissionais para esta fase, também devo me lembrar de grandes idiotices feitas por mim neste mesmo tempo. Foi um tempo de grandiosidades boas e ruins. Guardo até hoje alguns ‘monumentos‘ deste tempo (a casa onde moro, por exemplo).
Dentre as coisas que aprendí está o ‘sonhar junto com Deus’, a ser impetuoso e arrojado nas coisas onde Ele é patrocinador, e a ficar quieto no meu canto enquanto Ele não se manifesta, ou quando diz não. Esse procedimento tem me livrado de repetir tantas idiotices feitas no passado. E tenho também aprendido que Deus não é de revelar o plano todo logo de cara. Deus não me diz onde acaba a estrada, mas me dá direção suficiente para sair de casa. Vai me mostrando o caminho por partes, quase que passo a passo. É um bom exercício para a minha fé e minha dependência Dele. Por isso, minha sugestão (e minha prática) não é comemorar o ano novo, nem esperar grandes coisas dele, nem fazer grandes planos para ele. Melhor é comemorar o dia novo que começou horas atrás. Melhor é viver este novo dia como aquele que meu Deus me deu a viver hoje.
O dia a dia me traz expectativas mais reais, mais próximas. E mesmo em caso de erros, prazos mais curtos significam erros menores e correção rápida. E quando nem tudo vai bem? Como Jeremias, vejo tudo e lembro de tudo, pois não sou cego. Mas prefiro lembrar daquilo que pode me dar esperança. Deus está comigo e é bom esperar Nele. É a melhor opção. O que espero a longo prazo? Por certo sigo tendo minhas preferências, meus sonhos, meus planos. Mas aprendí que é melhor e mais eficaz fazer tudo ao lado de Deus. É bem mais que um turbo no meu motorzinho. É tiro certo no alvo certo. Melhor racionalização de energia não há. Ano a ano? Não!
Mesmo tendo os olhos mais longe, prefiro comemorar o dia a dia. Afinal, é esta a periodicidade que Ele usa para renovar Sua misericórdia sobre mim.
Um conceito de insanidade é:
"Fazer as coisas da mesma maneira e esperar resultados diferentes."
Vá a luta.
Esteira parada não emagrece.

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